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VII Conferência Ibero-Americana de Ministros da Cultura

Declaração de Cochabamba

Cochabamba, Bolivia, 2 y 3 de outubro de 2003


Na Ibero-América, os complexos processos de exclusão social geraram formas de coexistência que ainda mantêm estructuras nacionais inequitativas. Esta é a origem de várias das situações actuais que mantêm na pobreza e na marginalidade uma parte significativa das populações ibero-americanas. Os governos ibero-americanos comprometem-se em reverter a situação, procurado uma maior inclusão social. No campo da cultura, afirmamos a imperiosa necessidade de fortalecer de maneira substantiva a contribuição das políticas culturais que permitam gerar condições de maior integração social.

A diversidade cultural , no âmbito do respeito pelos direitos humanos, é a chave para garantir a coesão social, a democracia e a paz, como valores fundamentais para a construção da Comunidade Ibero-Americana. O reconhecimento da validade e da legitimidade de padrões culturais múltiplos, leva-nos a afirmar que as sociedades inclusivas requerem o desenvolvimento da pessoa e a construção cidadã e multifacetada de sentidos colectivos.

Neste contexto, a relação entre cultura e economia como uma aproximação necessaria do reconhecimento da diversidade cultural favorece a competitividade e a inclusão social nos nossos países. Desta maneira, também faz-se efectivo o reconhecimento concreto e formal das condições de multiculturalidade, multietnicidade e plurilinguismo vigentes na maioria dos nossos países.

Reafirmando o direito de formular e executar plena e livremente as suas políticas culturais, postulamos

1. Realçar a importância crescente do sector cultural como factor de desenvolvimento sustentável e gerador de emprego , que eleva a qualidade de vida e propicia um impacto positivo nas economias nacionais.

2. Fomentar políticas públicas integraise transversais que reunam aspectos culturais, sociais, económicos e fiscais que potenciem as características específicas dos bens e serviços.

3. Reconhecer que nas negocições comerciais internacionais e na criação de novas normas para o comércio mundial, a cultura deve ser tratada na sua integralidade e especificidade considerando o valor acrescentado que incorpora na produção dos bens e serviços. Portanto, se recomenda considerá-los como aspectos diferenciados do tratamento generalizado que caracteriza as negociações comerciais internacionais, já que os seus conteúdos estão conforme com as identidades . Nestas negociações é recomendável tomar em consideração as posições de todos os agentes envolvidos.

4. Prestar maior atenção às populações migrantes - internas e externas - partindo das políticas culturais, com o objetivo de manter laços fortes culturais com os seus lugares de origem, com resultados em importantes fluxos de cultura e capital.

5. Expressar a necessidade de que a Ibero-América gere acordos que levem a contribuir para a visão e a experiência histórica da região, na discussão do futuro instrumento internaiconal sobre a diversidade cultural , no âmbito da UNESCO.

6. Impulsionar o desenvolvimento de mercados de obras audiovisuais e dos meios electrônicos na Ibero-América, como factor de integração social e regional, com a finalidade de tornar mais amplio e equitativo o acesso, emais fluido o diálogo e intercambio entre as nossas culturas, baseado nas legislações vigentes e estimulando as alterações quando necessario. Neste contexto valorizamos os resultados da IBERMEDIA, e animamos o desenvolvimento da CIBERMEDIA e da Televisão Ibero-Americana.

7. Incentivar acções que a partir de saberes tradicionais e científicos promovam o incremento e o desenvolvimento de inovações tecnológicas que respondam às necessidades dos nossos povos , em particular os que se encontram em situação de exclusão.

8. Ajudar a erradicar os múltiplos tipos de analfabetismo desde as políticas culturais, uma vez que é uma das piores formas de exclusão social que sofrem os nossos países.

9. Adotar o Plano Ibero-Americano de Leitura, apresentado pela OEI e pelo CERLAC e comprometermo-nos a apoiar o seu desenvolvimento, entendendo que entre os seus objetivos se encontra o de contribuir para a erradicação do analfabetismo. Neste sentido, solicitamos à Cimeira-Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Ibero-América que declare o ano de 2005 como o Ano Ibero-Americano da Leitura. Dessa forma, sugerimos iniciar o processo de modo a tornar o Plano Ibero-Americano de Leitura um Programa de Cimeira-Cúpula.

10. Fomentar processos de participação cidadã associados à formulação e ao lançamento de políticas culturais , de maneira que estas sejam cada vez mais inclusivas das necessidades e demandas das comunidades , em particular as daquelas tradicionalmente esquecidas ou discriminadas.

11. Animar, a partir de políticas públicas , as ações da sociedade civil dirigida a sustentação da diversidade cultural, por meio de iniciativas tais como microempresas e indústrias culturais , movimentos cidadãos e comunitários, e outras formas de organização da sociedade civil que contribuem desde a cultura à inclusão social. Tudo isto, procurando reduzir os requisitos e os custos administrativos.

12. Salientar a relação estreita entre o patrimonio e o turismo cultural, como factor fundamental do desenvolvimento que gera recursos orientados para a autosustentação .

Reconhecemos a importancia dos avanços realizados pelos Programas Cimeira-Cúpula IBERMEDIA, ABINIA, PICBIP,ADAI, RILVI, Fundo Indígena , bem como dos projetos em desenvolvimento no Quadro de Ação de Cooperação Ibero-Americano aprovado na VI CIC. Consideramos que as ações futuras devem procurar reduzir as brechas existentes dentro da mesma Comunidade Ibero-Americana . Valorizamos também , a proposta do IBERESCENA e incentivamos a procura de mecansimos adequados de financiamento que permitam a participação maioritaria dos países.

Acolhemos com grande satisfação a celebração em Barcelona do Forum Universal das Culturas em 2004 ; Compartilhamos os grandes eixos com que se articula ; a diversidade cultural, o desenvolvimento sustentável, as condições para a paz e expressamos a nossa solidariedade e compromisso com este evento.

Finalmente agradecemos a hospitalidade , cortesia e eficiência do governo da Bolivia, em particular do Ministerio do Desenvolvimento Económico ( Vice-Ministério de Cultura ) pela excelente organização desta Conferência. Reconhecemos igualmente os esforços realizados pelo Ministerio da Cultura da Colombia pela realização da Reunião Preparatória , e pela OEI pelo seu valioso e permanente apoio à cooperação cultural ibero-americana.

Os Ministros da Cultura e os chefes de Delegação Ibero-Americanos subscrevem a Declaração de Cochabamba , a 3 de Outubro de 2003 , em espanhol e portugués , ambos os textos fazendo igualmente fé.