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VIII Conferência Ibero-americana de Ministros da Educação

Declaração de Sintra

(Sintra, Portugal, 9 e 10 de Julho de 1998)


Os Ministros da Educação dos países Ibero-Americanos, renidos a convite do Ministério da Educação de Portugal e da Organização de Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), nos dias 9 e 10 de Julho de 1998 em Sintra, Portugal, na VIII Conferência Ibero-Americana de Educação, de acordo com os Estatutos e o Regulamento Oficial da OEI, com o objectivo de propor linhas de cooperação para a Educação, de analisar especificamente o tema “Globalização, Sociedade do Conhecimento e Educação” e de apresentar as respectivas conclusões na próxima Cimeira Ibero-Americana,

Consideram

    • Que a evolução política, económica, social e cultural dos nossos países foi influenciada pelo fenómeno, complexo e de difícil definição, da globalização, que se caracteriza pelo modo como os acontecimentos, decisões e actividades ocorridos num determinado ponto do planeta se repercutem de forma significativa noutras sociedades e noutras pessoas,
    • Que a globalizaçaõ deve entender-se como um processo de mudança amplo, contraditório, heterogéneo e profundo nas relações entre as sociedades, nações e culturas e que gerou uma dinâmica de interdependência nas áreas económica, política e cultural em que se desenvolve o actual processo de mundialização,
    • Que o ritmo acelerado do progresso científico e tecnológico e a evolução que as tecnologias da informação possibilitam são os dados que caracterizam a chamada sociedade do conhecimento,
    • Que, neste contexto, a informação e o conhecimento adquirem um novo significado, tanto na esfera da produção como nos sectores sociais e culturais, e se tornam elementos estratégicos,
    • Que a educação é o quadro em que se realiza a passagem da informação para o conhecimento e, nesse sentido, deve ocupar o primeiro plano das prioridades políticas dos países ibero-americanos, dada a sua relação inquestionável com o desenvolvimento económico e com a competividade, a consolidação da democracia e a integração social, a equidade e a igualdade de oportunidades,
    • Que é necessário corresponder aos requisitos da globalização enquanto promoção da educação ao longo da vida e aprofundamento da inter-compreensão, formando para uma cidadania participativa e responsável através da sua integração no processo educativo,
    • Que a cooperação e a integração entre todos os países ibero-americanos, assentes em raízes culturais comuns, são instrumentos privilegiados para favorecer as oportunidades trazidas pela globalização e factor de estabilidade face aos riscos que esta envolve,
    • Que uma das riquezas da integração e da cooperação ibero-americana é a possibilidade de participar num mundo globalizado em condições de igualdade e de afirmação das identidades, bem como de reconhecimento e respeito pela diversidade cultural e étnica dos diferentes países. Que ela constitui a possibilidade de participar na cultura global sem perder o sentimento de pertença à nossa própria cultura,

E, por conseguinte, no entendimento de que a globalização significa, não só oportunidades para as sociedades, para os países e para as pessoas, mas tambem riscos e exigências para a evolução dos sistemas sociais e educativos,

Propõem:

    1. Recuperar o papel do ser humano como agente principal do processo educativo, através de uma acção pedagógica baseada no diálogo e tendo em vista a construção autónoma da personalidade;
    2. Continuar os seus esforços para elevar o nível de qualidade dos sistemas educativos, garantindo, através da coerência e da flexibilidade dos curricula, a relevância das aprendizagens e assegurando deste modo uma sólida formação de base a cidadãos responsáveis, solidários, competentes e com suficiente capacidade de adaptação às mudanças;
    3. Privilegiar a mudança pedagógica nas reformas educativas no sentido de uma transformação na sala de aula e na organização da escola, com o objectivo de produzir a capacidade de aprendizagen permanente e a afirmação da autonomia individual nas suas dimensões cognitivas, afectivas e morais;
    4. Desenvolver políticas orientadas no sentido de garantir a igualdade de oportunidades educativas e de programas intersectoriais de compensação, prioritariamente atentos aos sectores mais atrasados, políticas que sejan assentes no princípio da equidade e orientados para a prevenção da exclusão social;
    5. Progredir no sentido da convergência dos sistemas educativos com base em diálogos e perspectivas comuns na área dos curricula, das metodologias da aprendizagem, da organização escolar, da utilização educativa das novas tecnologias, da formação inicial e contínua dos professores e dos materiais didácticos, respeitando a pluralidade cultural e a diversidade dos ritmos históricos de cada uma das nossas sociedades;
    6. Fortalecer os processos de avaliação e de aferição da qualidade dos sistemas educativos, com vista a facilitar a tomada de decisão e a favorecer o desenvolvimento de análises comparadas;
    7. Promover medidas no âmbito da formação para o trabalho que possibilitem as necessárias competências para uma adaptação eficaz a um mundo laboral mutável e a postos de trabalho de conteúdos técnicos cada vez mais evidentes e de alta complexidade;
    8. Fomentar as aprendizagens científicas e tecnológicas que favoreçãm a integração na sociedade do conhecimento, criando condições adequadas à investigação e à inovação;
    9. Favorecer o conhecimento e o aproveitamento das novas tecnologias da informação e da comunicação, bem como a sua aplicação pedagógica eficiente e crítica, reforçando o trabalho que as instituições especializadas desenvolvem;
    10. Dar prioridade à produção e difusão de produtos culturais e educativos multimédia com conteúdos específicos, favorecendo a elaboração de materiais comuns e a cooperação entre os países ibero-americanos;
    11. Reforçar a coordenação para uma maior difusão das línguas e dos produtos culturais ibero-americanos;
    12. Prosseguir no sentido de um maior investimento na educação, melhorando a eficácia da sua utilização, de acordo com as declarações que têm sido reiteradas neste mesmo sentido em diversas instâncias internacionais pelos Chefes de Estado e de Governo;
    13. Melhorar as administrações educativas para fazer face aos requisitos que as negociações com as instituições de financiamento internacional exigem;
    14. Adequar os sistemas educativos que facilitem a mobilidade de cidadãos formados com garantias de qualidade e de conhecimentos similares, aproveitando das experiências que se estão a desenvolver no âmbito dos mecanismos de integração sub-regional;
    15. Reforçar, no contexto da integração regional, a atenção às necessidades do multiculturalismo;
    16. Fomentar a integração e a cooperação regionais na área educativa e cultural, impulsionando o desenvolvimento de redes temáticas, de programas comuns de professores e alunos e de investigações partilhadas e comparativas;
    17. Coordenar com os organismos regionais o desenvolvimento de reuniões e ateliers para debater experiências e inovações sobre temas estratégicos relacionados com o papel das escolas, dos professores, da família e da aplicação das novas tecnologias da educação;
    18. Incorporar na programação da OEI as propostas aqui formuladas.

Documento de trabajo: Los Sistemas Educativos Iberoamericanos en el Contexto de la Globalización. Interrogantes y Oportunidades (Espanhol)