XII Conferência Ibero-americana de Ministros da
Educação
Declaração de Santo Domingo
(Santo Domingo, República Dominicana, 1 e 2 de
Julho de 2002)
As ministras e os ministros de Educação da Ibero-América
reunidos na XII Conferência Ibero-americana de Educação,
RECONHECEM
- Que a temática da primeira infância está
presente nas políticas e nos compromissos internacionais, particularmente
os ibero-americanos, e consideram que estes são uma expressão
do consenso social e político, pelo que se pode afirmar que a
atenção integral à infância está incluída
em todas as agendas políticas ibero-americanas.
- Que os compromissos da comunidade internacional e ibero-americana
expressados na Convenção sobre os Direitos da Criança
(1989), na Declaração de Jomtien (1990), no Foro Internacional
Consultivo de Dakar (2000), no Marco de Ação de Santo
Domingo (2000), na Declaração de Cochabamba (2001) e nas
recomendações das Conferências Ibero-americanas
de Educação (Havana, Panamá e Valença) colocam
de manifesto que, para alcançar uma educação de
boa qualidade para todos, é necessário impulsionar a educação
da primeira infância.
- Que a Declaração da X Reunião de Cúpula
do Panamá estimula a apresentação de iniciativas
que conduzam a uma verdadeira comunidade virtual ibero-americana, "CIBERAMÉRICA",
e dá especial atenção à incorporação
das novas tecnologias da educação com o objetivo de criar
um Portal Educativo Ibero-americano.
E CONSIDERAM
Com relação à educação da primeira
infância
- Que a educação inicial (desde o nascimento e até
a educação primária ou básica, segundo as
diferentes acepções nos países) é um direito
dos meninos e das meninas e constitui uma etapa fundamental na vida
das pessoas. Nela se assentam as bases da aprendizagem, da formação
em valores, da capacidade de diálogo e tolerância nas relações
interpessoais, assim como do entendimento entre povos e culturas, contribuindo
à eliminação de barreiras que impedem a consolidação
de uma cultura de paz.
- Que nos processos de transformação dos sistemas
educativos que os países enfrentam, a educação
inicial constitui um dos eixos destacados para a construção
de uma política social de caráter universal que sirva
como instrumento para a consolidação da eqüidade
social, entendida como a igualdade de oportunidades no acesso aos serviços
educativos, em sua permanência neles e no sucesso de aprendizagens
relevantes.
- Que a educação inicial tem identidade, função
própria e um sentido em si mesma, em relação com
o crescimento, desenvolvimento e aprendizagem das meninas e dos meninos
nesta etapa, como sujeitos de direitos e como protagonistas de sua própria
vida.
- Que a atenção à diversidade é um
elemento básico para assegurar a qualidade da educação,
pelo que deve ser critério universal no desenvolvimento das políticas
e dos programas de atenção neste nível educativo.
- Que, como demonstram as investigações, uma educação
inicial de qualidade, resultado da eficácia interna dos sistemas
educativos, contribui para melhorar as aprendizagens, assim como para
diminuir os índices de repetência e fracasso escolar.
- Que a educação da primeira infância é
também um instrumento válido de ação múltipla
que forma parte de uma política social adequada para assegurar
a integração, a participação e a emancipação
dos setores mais desfavorecidos.
- Que, tal como ressaltamos na Declaração do Panamá
(2000), reafirmamos que "a educação inicial é
um dos fatores estratégicos para garantir a eqüidade, diminuir
os efeitos da pobreza e promover a justiça em prol da consolidação
da democracia, da convivência social, assim como no apoio ao desenvolvimento
econômico e à competitividade de nossos países".
- Que o Estado tem responsabilidades indelegáveis na formulação,
na sustentação e na continuidade das políticas
educativas, em particular nas de educação inicial.
- Que o Estado deve fortalecer a função da família
como primeira educadora das meninas e dos meninos.
- Que a atenção integral da criança requer
a participação de todos os setores, articulando-se em
torno dos propósitos educativos.
- Que o reconhecimento da importância da educação
inicial conduziu os países membros da OEI a desenvolver um plano
de cooperação, resultado de um amplo processo de debate,
discussão, análise e consenso sobre a identidade, função
e sentido da educação inicial.
Com relação à incorporação das novas
tecnologias da informação e da comunicação
- Que a educação não pode permanecer à
margem das vertiginosas transformações que o mundo contemporâneo
está vivendo, nem do avance das novas tecnologias da informação
e da comunicação, principalmente tendo em conta que está
atendendo a gerações chamadas a integrar-se plenamente
na Sociedade da Informação e do Conhecimento.
- Que se faz necessário abrir espaços para socializar
informação, investigação e experiências
relevantes que existem na Ibero-América nas diferentes áreas
de educação, com os quais se ampliam as possibilidades
de acesso a estes recursos, especialmente no caso dos docentes, e favorece
o uso eficiente dos recursos econômicos.
- Que a partir dos mandatos das Reuniões de Cúpula
Ibero-americanas do Panamá e Lima, se encomendou à OEI
e à SECIB a criação de um Portal Educativo Ibero-americano
no marco do projeto CIBERAMÉRICA.
- Que se deve valorizar e ressaltar que, a partir de iniciativas
governamentais, não governamentais, particulares e mistas, existem
na região múltiplas e valiosas experiências de geração
de produtos e serviços educativos por Internet que poderiam ser
aproveitados pelo conjunto dos países.
Com relação aos programas de cooperação vinculados
às Reuniões de Cúpula Ibero-americanas
- Que a Secretaria de Cooperação Ibero-americana (SECIB),
com o apoio da OEI, de reitores e expertos elaboraram o estudo "Análise
e potencialidades da cooperação ibero-americana na educação
superior", encomendado pela X Reunião de Cúpula Ibero-americana.
Este trabalho reflete o estado da cooperação em educação
superior na região, e assinala as que seriam as linhas estratégicas
mais importantes para um desenvolvimento gradual e progressivo de ações
de cooperação.
- Que o Programa Cúpula de Avaliação Educativa
tem apresentado um significativo avance no apoio ao fortalecimento dos
sistemas nacionais de avaliação da região e tem
cumprido satisfatoriamente suas metas e objetivos, uma vez finalizado
seu ciclo de execução.
- Que os programas de alfabetização de adultos têm
produzido resultados satisfatórios como estratégias de
cooperação horizontal.
POR CONSEGUINTE
- Comprometemo-nos a promover, a fortalecer e a executar políticas
públicas que conduzam eficazmente à ampliação
da cobertura e à melhoria da qualidade com eqüidade da educação
inicial, que responda à diversidade de características,
necessidades, fortalezas e interesses dos meninos e das meninas nesta
etapa de vida, e de suas famílias.
- Comprometemo-nos a propiciar as condições para
avançar no desenvolvimento de políticas de Estado que
dêem continuidade, sustentabilidade e ampliação
das ações na educação inicial, realizando
esforços adicionais para a atribuição de recursos
econômicos crescentes a este nível educativo.
- Compartimos com os Chefes de Estado a prioridade que têm
conferido à inversão na educação, e recomendamos
que a atribuição adicional de recursos a este setor seja
através de mecanismos de reordenamento financeiro interno que
impliquem a redistribuição de recursos não relacionados
com inversão no capital humano e no reordenamento financeiro
externo, em particular na negociação para a reconversão
de dívida externa por inversão educativa.
- Respaldamos o Plano de Cooperação para o Fortalecimento
e Extensão da Educação Inicial na Ibero-América,
apresentado pela OEI, e comprometemo-nos com sua execução
uma vez aprovado pelos Chefes de Estado e de Governo.
- Instamos à Organização dos Estados Ibero-americanos
a que desenhe e proponha mecanismos de coordenação entre
as diferentes agências e organismos internacionais e sub-regionais
para a consecução dos projetos derivados dos planos de
cooperação ibero-americana em educação.
- Exortamos à Organização dos Estados Ibero-americanos
a que, aproveitando as experiências que existem a respeito na
região -entre elas a acumulada pela Associação
de Televisão Educativa Ibero-americana (ATEI) e pela Organização
dos Estados Americanos (OEA)-, avance no estudo e na articulação
das iniciativas em curso para o esboço do projeto do Portal Educativo
Ibero-americano, no marco da estratégia CIBERAMÉRICA que
a SECIB conduz.
- Instamos a OEI a que incentive a criação de espaços
de trabalho vinculados às recomendações reunidas
no documento "Análise e potencialidades da cooperação
ibero-americana" em educação superior, e, com base
nele, procedam ao desenho de ações específicas
de cooperação em apoio a programas regionais já
existentes, em particular à formação de docentes.
- Propomos à XII Reunião de Cúpula de Chefes
de Estado e de Governo que disponha a finalização do Programa
Cúpula de Avaliação Educativa com data em 31 de
Dezembro de 2002, e que seus temas centrais e linhas de trabalho sejam
incorporados à programação regular da OEI.
- Recebemos com satisfação os avances registrados
nos diferentes programas de alfabetização e de educação
básica de adultos que, com apoio da Cooperação
Espanhola, vêm realizando-se em diversos países da região,
e animamos sua extensão e fortalecimento.
- Celebramos a incorporação efetiva de Portugal à
Organização dos Estados Ibero-americanos, como membro
de pleno direito. Dessa forma, se completa e se fortalece o espaço
ibero-americano de nações.
- Agradecemos ao Governo do México pela realização
da Reunião Preparatória de Vice-ministros que contribuiu
eficazmente ao desenvolvimento da presente Conferência. À
OEI, pelo impulso e acompanhamento ao amplo processo de elaboração
técnica e consulta realizados, que permitirá concretizar
em ações específicas os mandatos derivados desta
Declaração. À SECIB, pelo apoio prestado à
consecução dos objetivos propostos, e aos organismos e
agências internacionais, presentes nesta reunião, por sua
nutrida e ativa participação.
- De maneira muito especial, felicitamos e agradecemos ao Governo
da República Dominicana pela excelente organização
e condução da XII Conferência Ibero-americana de
Educação, assim como por sua esplêndida acolhida
e hospitalidade.
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