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IV Conferência Ibero-americana de Ministros da EducaçãoSalvador, Bahia, Brasil, 7 e 8 de julho de 1993
Declaração dos Ministros da Educação Ibero-americanos em Salvador Os Ministros da Educação e os Chefes de Delegação dos países da Ibero-América, convocados pelo Ministério da Educação e Esportes do Brasil, com o apoio da Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI) e da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), reunidos em Salvador, Bahia, Brasil, dentro do espírito de integração expressado pelas Cúpulas de Chefes de Estado e Presidentes de Governo de Guadalajara e Madri, assim como pelas reuniões de Ministros da Educação de Guadalupe (OEI) e da PROMEDLAC (UNESCO). Ao analisar a problemática das relações entre Educação e Trabalho e os desafios da Educação à Distância, chegamos às seguintes conclusões e recomendações, que elevamos a nossos Chefes de Estado e Presidentes de Governo que se reunirão em Salvador, Bahia, nos dias 15 e 16 de julho de 1993. 1. Contexto socioeconômico e situação educacional dos países ibero-americanos na década de 90 Após um longo período de persistente crise econômico-social, alguns países da região já dão sinais de inflexão para a recuperação do desenvolvimento, apesar de que ainda sejam evidentes os custos sociais e a limitação da cobertura e da qualidade dos serviços sociais básicos, devido ao rechaço histórico e também ao corte nos gastos públicos que tiveram que fazer a maioria deles, em um marco onde ainda existem grandes níveis de pobreza e ineqüidade social. Nessa situação cabe destacar a polarização e a heterogeneidade estrutural que coadjuvam o desemprego, a redução das receitas provenientes do trabalho e da extensão dos setores informais, ao mesmo tempo em que, em vários ramos da indústria e dos serviços modernos, aparecem tendências para incorporar os avanços tecnológicos e organizativos que incrementam tanto a competitividade e a integração interna e inter-regional, como sua vinculação aos mercados mundiais. Nesse sentido, a crescente globalização da economia mundial apresenta valiosas oportunidades e desafios para os países ibero-americanos. Por um lado, abertura de mercados potenciais e o conseqüente acesso à inversão em novas tecnologias são circunstâncias propícias para um maior crescimento econômico e, por outro, a globalização apresenta o desafio de uma maior competência. O aproveitamento das oportunidades e a resposta adequada a estes desafios serão possíveis se se conta com recursos humanos apropriados. A educação deve responder a estes desafios. Até agora vários fatores têm dificultado a convergência dos sistemas produtivos e educacionais, e a aproximação da cultura escolar à do trabalho e à formação cidadã. Em circunstâncias de escassa criação de novos empregos
e de mudanças freqüentes nas estruturas produtivas, fazem
falta respostas oportunas e particularizadas das escolas e centros de
formação para o trabalho às exigências da comunidade,
dos jovens, das mulheres e das minorias, que assegurem a pertinência
da formação distribuída em relação
às exigências objetivas do mundo laboral. Do mesmo modo, a educação tem hoje, entre suas incumbências principais, a de preparar as pessoas para sua plena participação social no mundo do trabalho, desenvolvendo os valores, condutas e competências que permitam sua prosperidade e a dos países. 2. A educação como preparação para o mundo do trabalho Pelas razões citadas anteriormente, é urgente investir ou aprofundar nos países ibero-americanos reformas no conjunto do sistema educacional. Nesse sentido é preciso realizar os esforços necessários para garantir uma educação básica de qualidade para todos, vinculada à cultura do trabalho, e que contemple todos os aspectos relativos à situação pessoal e social dos educandos. Há de se conceder particular importância às transformações da educação de jovens e adultos, assim como a Educação Técnica e Formação Profissional por sua posição estratégica na consecução dos objetivos de competitividade, produtividade e coesão social. Estas transformações exigirão um grande consenso dos grupos políticos, das organizações sociais e dos agentes econômicos, e seus objetivos hão de ser compartilhados pelas diferentes administrações públicas, comprometendo-se a desenvolvê-los e garanti-los da maneira mais eficaz possível. Entre estes objetivos há que destacar: a educação básica de qualidade para todos, as oportunidades de formação para o trabalho dos jovens e adultos, a renovação da educação técnica e profissional, e o acesso dos trabalhadores à formação continuada. Nesse sentido, trata-se de:
Para alcançar estes objetivos devem ser desenvolvidas estratégias concretas. A educação básica deve subministrar as ferramentas para aprender e ensinar a resolver os problemas individual ou coletivamente, o que a converte na primeira etapa de preparação para a vida profissional. Resulta imprescindível para sua transformação a incorporação da cultura do trabalho a partir dos graus elementares de ensino, o que implica não tanto mudar seus objetivos de aprendizagem, como colocá-los em relação à solução dos problemas cotidianos. Paralelamente, se deve dar uma atenção particular à defesa das crianças contra sua integração prematura no mercado do trabalho. No que se refere aos programas de alfabetização e formação básica da população adulta, será imprescindível complementá-los com ações de preparação para o emprego, com objetivos e conteúdos bem definitivos e avaliáveis. A renovação da educação básica
e ensino médio deve incorporar elementos que favoreçam a
transição dos jovens e das mulheres ao mundo do trabalho. Para os jovens que não obtiveram uma equivalência básica
para o trabalho, deve-se dar andamento a programas de garantia social,
que, mediante a combinação de ações formadoras
e de emprego, assegurem um primeiro nível de preparação
profissional. Dentro desta aproximação da educação ao mundo
do trabalho é de enorme importância dar andamento a programas
ambiciosos de formação de formadores, destinados a subministrar
as novas competências técnicas e metodológicas imprescindíveis
para abordar com êxito as reformas da educação básica,
do ensino médio, técnico e de formação profissional. Para cumprir esta missão é imperioso, tanto onde a condução educacional é centralizada, como onde está descentralizada, reforçar os laços entre as instituições de formação superior, os sistemas de ensino, a empresa e as instituições de educação técnica e de formação profissional; renovar as titulações universitárias em consonância com as novas profissões demandadas pela economia; estabelecer prioridades de investigação de acordo com as oportunidades econômicas de cada país; fomentar os intercâmbios de investigadores, professores e estudantes entre diferentes universidades; criar mecanismos de transferência tecnológica destinados a promover a inovação, especialmente nas pequenas e médias empresas. O desafio atual consiste em aprofundar as formas de acordos entre as Organizações dos Trabalhadores, dos Empresários e as Instâncias Governamentais para a formulação de políticas, planejamento de ações, definições de competências profissionais e avaliação. No marco das atuais transformações do Estado, consideramos indelegável a função de articular as políticas do conjunto dos organismos oficiais, os acordos com os atores do processo, a prospecção de necessidades e a informação sobre o mercado de trabalho, a regulação, o controle de qualidade, a validade das certificações e a atenção focalizada dos setores com maiores necessidades educacionais. Finalmente, é preciso desenvolver ações conducentes a revalorizar socialmente a capacitação para o trabalho e a educação tecnológica, de tal forma que não sejam visualizadas como uma ocupação secundária frente à formação acadêmica. 3. A educação a distância e a educação para o trabalho Para lograr os objetivos citados anteriormente por meio das estratégias assinaladas, são necessárias estruturas de educação e formação mais variadas, abertas e flexíveis, que constituam uma opção capaz de multiplicar e diversificar as ofertas educacionais para todas as pessoas, ajudando a realizar o ideal da verdadeira democratização da educação. Isto implica que se potenciem as modalidades de ensino aberto e a distância com a utilização conjunta dos materiais educativos e dos avanços tecnológicos da telecomunicação e da informática, e que se fomente a aplicação das tecnologias educativas nas escolas e instituições de formação. São variadas as razões que justificam esta decisão, entre elas, a enorme variedade de grupos com necessidades de educação básica e de formação para o trabalho, sobretudo aqueles que, por razões de residência, familiares ou de emprego, estão impedidos para seguir cursos regulares presenciais, o qual aconselha o desenvolvimento de sistemas flexíveis que permitam a auto-aprendizagem e a autoconstrução do saber. Por outro lado, há que ter em conta as novas tecnologias da informação e da comunicação, que têm possibilidades didáticas que não eram previstas no ensino tradicional. Mas em todo caso haverá que ter em conta que a limitação de recursos, tanto públicos como privados, exige utilizar meios que permitam capacitar em grande escala. Seria conveniente iniciar um grande esforço, em cada país e mancomunadamente por meio da cooperação, para reforçar a introdução de novas tecnologias educacionais nas escolas e centros de formação e dar andamento a sistemas de educação aberta e a distância que ampliem significativamente as ofertas de educação e formação básica, profissional e técnica, que atualmente se desenvolvem nos centros e estabelecimentos educacionais de forma quase exclusivamente presencial. Dado o grande potencial educacional dos meios de comunicação
de massa e sua correspondente responsabilidade social, caberia considerar
o estabelecimento de mecanismos que estimulem a participação
cooperativa de tais meios nos esforços de educação
e formação a distância.
Pretende-se, por meio destas políticas, ampliar as oportunidades de acesso à educação e à formação, reforçar as infra-estruturas educativas das áreas menos favorecidas ou distantes dos centros de capacitação e melhorar as possibilidades da formação continuada, favorecendo as modalidades de aprendizagem autônoma e independente. 4. Cooperação regional e sub-regional no campo da educação e formação Avançar eficazmente em direção às metas anteriormente propostas requer aprofundar na cooperação entre os países ibero-americanos, o que exige definir aqueles campos com mais possibilidades ou os que resultam mais urgentes no futuro imediato. Para realizar esta cooperação haverão de ser tidos em conta os processos de integração sub-regionais em andamento, que poderão ir muito mais além dos projetos comuns para a área, que a seguir se propõem:
Nós, Ministros da Educação Ibero-americanos, consideramos que nestas ações de cooperação hão de procurar integrar-se os esforços que atualmente realizam os diferentes organismos internacionais e de cooperação horizontal e bilateral que operam na Ibero-América em programas de educação e formação para o trabalho. Neste mesmo sentido, cada país apoiará, com seus próprios recursos e na medida do possível, estes esforços de cooperação. Nós, Ministros da Educação Ibero-americanos, ao mesmo tempo em que reafirmamos a particular importância da educação básica, recomendamos:
Salvador, Bahia, 8 de julho de 1993 |
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